terça-feira, 24 de novembro de 2009

Braços

Os lados nem sempre concatenados.
Como dois seres com vida própria, destinados a estarem colados e seguirem acordando em tudo.
Nem sempre conseguem. E, hora ou outra, algum se rebela.
Vai para o outro lado.
Desavisado.
O propósito instantâneamente mudado, quebra o movimento.
Inadvertido, salta fora.
Cambaio, dói e estaca.
Contrafeito volta ao lugar, do outro lado,
O que já não cabe mais.
Arde para se acomodar.
E não acomoda.
Disfarça e faz-de-conta.
Mas o equilíbrio tarda.
E logo o pulo aparece.
Delata o desencontro.
Explicita o vacilo.
Escancara a brecha no ser!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pela fresta do Valle

Com muita vontade mas ainda sem coragem de voltar voltar.
Saudades de meus amigos daqui.
Não sei onde me perdi.
Custo a me encontrar.
Li, de uma quase xará, um texto forte e quente.
Me acendeu. Me animou.
Dei só um pulinho.
Saudades de mim.

Hoje é só assim.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Nem só de pão vive o homem

Recebi hoje este texto e achei a ideia o máximo. Sei de mais gente que vai gostar, por isso estou postando aqui. Se mais gente tivesse ideias como esta...

Fica como ideia e presente de páscoa.



Vale mais que um trocado

Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi

Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)

Foto: Rogério Albuquerque

CAMINHO LIVRE A cada livro oferecido em vez
de esmola, um leitor descoberto.

Foto: Rogério Albuquerque.

"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler?, perguntei.

- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

- Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?

- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

* os nomes foram trocados para preservar os personagens.

http://revistaescola.abril.uol.com.br/gestao-escolar/diretor/vale-mais-trocado-432764.shtml

sexta-feira, 27 de março de 2009

Deslize


Acordou como se tivesse deitado na sexta feira e apagado o final de semana.
Não pela quantidade de sono dormido.
Pela nulidade de tudo.
A manhã, cinza, recepcionou-a, fria.
A emoção não chegou aos poros do dia.
O dia não coadunou com a ausência de sinais.
Nem o sol, quando atravessou a pesada cortina da vida, trouxe-lhe algum calor.
Nenhum doce afago encostou ser ser.
Como um robô destemperado, saculejou as vértebras e as juntas para fora do leito, duma maciez hipócrita e mentirosa.
Procurou em vão, suas conexões.
Todas partidas.
A fuga generalizada dos sentidos de dentro e de fora.
O chão não a sustenta.
Paira irrevogável no intervalo da personagem.
Engole em seco o gosto mofado dos verões e primaveras perdidos.
Anseia pelo mar.
Pela areia fria e molhada lhe envolvendo os pés, devolvendo seu andar ao ritmo de marés pontuais.

Foto: Gold Cost-Austrália por André Ambrosio

quarta-feira, 11 de março de 2009

Confeccionário


Não ando em mim.
Melhor, dizer a verdade: ando.
Apertada, encolhida em alguma parte que não sei onde.
Perambulo, em algum exílio dentro deste corpo que se amotinou.
Não fui correr.
Não consigo me disciplinar.
Meu atraso crônico agora me alcança.
Não consigo chegar em mim.
Não consigo sair de mim.
Ando pendurada pelo trapézio direito.
Sonho, e pela manhã, o travesserio não solta o gancho de meu ombro.
Meu pescoço pesa uma tonelada e abigorna minha cabeça.
Sou uma miríade de pedaços doloridos e desencontrados.
Roubo prazer e desperdiço nos desencontros de minha carne.
Os sentidos esbarram nos músculos contraídos.
As sensações se perdem no labirinto "circunvoluntário" do cérebro.
A noz do universo particular quebrada e sêca.
A nova ortografia em pergaminho perdida na pessoa desencontrada.
O rio corre sozinho.
Meu banho atrasa como a vida.
Não me encontro.
Nem meu hoje.
Nem paro.
Nem desespero.
"Hormônimo"!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Despedida


Um filho é uma parte arrancada de você andando pelo mundo afora.
Dentro de você é uma promessa, um mistério, um invasor a te tirar de ti mesma.
Pequenino você o olha cheio de orgulho, esperança e medo.
Chora com suas dores, ri com suas bobas coisas e brincadeiras. Ri de seus medos e de suas ousadias.
Te repleta de tudo.
Te inunda de doçura e gozo.
Vai crescendo e toda a montanha russa de sentimentos continua interminável.
A cada sucesso ou fracasso seu você oscila entre o céu e o inferno.
Nunca mais os pés na terra.
Nunca mais a doce e diabólica solidão.
Nunca mais a unidade.
Nunca mais a inteireza.
Você reza, almadiçoa, lamenta, e regozija.
Ele vai abrindo espaços, conquistando horizontes.
Deixando coisas e inseguranças para trás.
Vai se tornando uma pessoa independente.
Sai de casa.
Cai no mundo.
Conhece outros lugares.
E já é uma parte tua que não podes mais incorporar.
E a cada vez que o encontras sentes a dor da separação.
E cada vez que ele parte é tua alma que vai arrancada de ti, alçando novos voos.
E novamente sentes no estômago a contratura do parto.
O arrepio do despreendimento.
E o coração se inunda do sangue em estertoroso refluxo.
Na sístole da dor.
E num sorriso dás-lhe um beijo e dizes: Vai!
Que te amo assim.
Longe e dentro de mim.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Para meus amigos e amigas como eu

Dizemos

Fevereiro 11, 2009 by José Saramago

Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais difícil operação das aritméticas humanas, dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegarmos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar emanharados, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos, e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida.

O Sr. Saramago que me perdoe esta apropriação sem permissão concedida.Seu blog não abre para comentários. Não pude pedir. Mas achei o que diz tão apropriado e concernente com meu momentos que faço minhas as suas palavras. Quem dera eu escrevesse assim. Quem sabe um dia. Agradeço que ele o faça, para nossa delícia e deleite.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Caminho da Ponta dos Araçás Servidão das Almas


Era uma casa pequenina, e um grande quintal onde os bois dos vizinhos entravam sem pedir.
Os meninos vinham em seu rastro e juntos comíamos pitangas, encarapitados na cerca do vizinho argentino que nunca estava.
Nos finais de tarde o vento cantava ao ritmo dos eucaliptos e os sapos faziam coro com sua lavra de bigorna, e seus ois de torcida.
Os grilos eram gentis e no verão as cigarras anunciavam o caminho dos Araçás.
A Lagoa, impassível espelho do passar miúdo de nossas vidas.
E pela manhã o céu fazia rubros degraus para a saída triunfal da Estrela Dalva.
Nesse ninho de intervalo, do lado de lá da Ponte e do Morro, nasceu André.
Meu Escorpião de Jade.
Meu encantador de planetas.
Meu cantor de histórias a completar.
Meu outubro glorioso.
O início de minha trilha de Terra Mãe.

Mais Varais

Porque pedi um varal, que vi e gostei, para ofertar a Vanu, que já tantos me mostrou, singelos, belos, tristes, coloridos... hoje ganhei outro.
Foi a Karla que me deu esse também. Como o outro foi ela que o descobriu. Lindo, colorido. Um elo de cores "in un' angolo formato da due pareti, un bello stendale ed il cielo di sopra".

Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Admiradores de varais


Marie, um varal veneziano pra ti (com sotaque mané, não tem?).

Como, "só é seu aquilo que você dá", ofereço a Vanu também.
Nessas bandas, onde ando, só ganho, poesia, canto, beleza, amigos de idéias e olhos. E coração.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Do "a vida às cores" para Amélia

Ficas de novo 1 ano mais velha que eu.
Parabéns minha krida!!!
Acabei de ver um presente ainda melhor para ti.
Pedi licença e mesmo sem a resposta chegada, te vou entregando.
Com um grande beijo.

5/Fev/2009

black & white / preto e branco



bateu à porta e deixou,

como rosa vermelha

no parapeito da janela,

rubro e ardente,

o coração feito corpo

em prosa incandescente.


Admiradores de Varais



Há um blog que visito sempre, onde vi e vejo coisas lindas.
A partir dele viajei por outros blogs e lugares diferentes. Sempre poéticos.
O Admiradores de Varais, da catarinense Vanu, mudou um pouco minha visão de mundo, me levou para minha infância inúmeras vezes, me mostrou uma das mais belas cartas de intenção de Ano Novo que já vi, e sobretudo me fez andar pelo mundo vendo com outros olhos e procurando, Varais.

Ontem no blog da Karla que mora em Dublin, vendo fotos que eles tiraram da neve caindo, achei essa aqui. Adorei a imagem de aconchego do varal protegido. Parece até que dá para sentir o calorzinho lá dentro e o cheiro de roupa lavada. Faz pensar em café e faz pensar em poesia.
Pedi permissão à Karla e estou postando aqui como uma forma de agradecimento a Vanu, por todas as imagens e poemas e outros pequenos presentes que encontrei no cantinho dela.
Meninas, obrigada. Seus blogs me fazem viajar muito.


Imagem: Neve em Dublin foto Karla
. http://picasaweb.google.com.br/karlaluck/Neve2009#5298557630936310











O Ricardo Thadeu, que na verdade é o pseudônimo de L.S.Maxwell o detetive do blog 100 Fundamentos, me presenteou com mais dois selos. Faz já um tempinho.
Já agradeci, mas fiquei me enrolando, até para dar um tempo também, para os outros blogs que vou indicar. Mas desta vez vou deixar meu lado rebelde e rabugento levar a melhor.
Desculpe lá, Ricardo, vou passar por cima das regras.
Já contei as coisas sobre mim.
Já indiquei teu nome.
E os meus indicados são todos os blogs que estão ali na lista ao lado.
Os selos estão lá em cima.
Muito obrigada Ricardo, continue sendo um bom menino e cada vez melhor detetive.

Do blog Pó dos Livros

Os bons livros escrevem-se assim, com ritmo




terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Aos Amigos


"Tempo, tempo, tempo, tempo.... És um senhor insensível"

Sem tempo para sentar e ler e escrever tudo que sempre quero.
Aproveito esses instantes roubados a tantas outras coisas e faço um pequeno favor a um amigo que me fez começar a realização dum sonho antigo e atual.
Foi assim que tive pela primeira vez, minha escrita estampada num livro de verdade.
Edson, faz um trabalho muito legal, possibilitando a realização do sonho de muitos.

Ele pediu e aqui vai. Estou publicando o release da Andross.

A quem interessar possa.

Bons escritos.

Bons trabalhos.

Bons sonhos.


ANDROSS EDITORA SELECIONA TEXTOS DE NOVOS AUTORES

A Andross Editora está organizando sete antologias a serem publicadas ainda em 2009. Escritores interessados em participar da seleção já podem enviar seus textos. São vários gêneros literários (poemas, contos, crônicas e microcontos) de temáticas diferentes - de humor a suspense.
Podem participar autores iniciantes ou com obras já publicadas. O regulamento e instruções para envio dos textos estão disponíveis no website da editora: www.andross.com.br.
Veja a lista dos lançamentos da Andross Editora para este ano:


1. Palavras Veladas – Antologia de poemas
2. Risos de Papel – Contos e crônicas de humor
3. Dias Contados – Contos sobre o fim do mundo
4. Dimensões.Br – Contos de literatura fantástica no brasil
5. Histórias Liliputianas – Antologia de microcontos
6. Marcas na Parede – Contos sobrenaturais, de suspense e de terror
7. 2054 – Contos futuristas (histórias que se passem no ano de 2054)



Sobre a Andross

Com quatro anos de mercado e mais de 33 títulos publicados, a Andross Editora iniciou as atividades com obras acadêmicas, cresceu e se manteve no mercado graças a um modelo de negócio diferenciado: a publicação de antologias. Por este sistema, a editora já publicou mais de 780 autores de 13 a 68 anos, do ensino médio ao doutorado, amadores e profissionais. Alguns dos que estrearam nas antologias da Andross hoje têm obras publicadas individualmente por outras editoras.

Mais informações para a imprensa:
Edson Rossatto
Andross Editora
Contato pelo telefone: (11) 2943-7687
edson@andross.com.br
Fevereiro 2009

sábado, 31 de janeiro de 2009

Selos e selos

Com toda essa festa das premiações com selos, tenho passeado bastante e conhecido outros blogs.
Numa dessas idas incertas, encontrei o Lector in Fabula e conheci um outro selo, do qual gostei tanto que resolvi pedir para mim.
Este selo é mais que uma brincadeira. É um desafio muito legal.
Pedi e ganhei o selo.
Entrei no desafio, que para mim é bem difícil.
Já me explico por quê: adoro ler e ando sempre com um livro para cima e para baixo. Um no mínimo. Esse é o problema. Começo uns 5 ou 6 ou mais livros de uma vez. E cada vez que algo ou alguém, me sujerem um novo, vou atrás e compro e inicio. Além disso, tenho uma vida prá lá de agitada e adoro uma porção de coisas: correr, sair, papear, ler blogs, conversar neles, a partir dos comentários de que gosto entrar e conhecer outros blogs, trabalhar, fazer bebês nascerem, conversar interminavelmente...
Então, por conta disso, esse desafio torna-se realmente isso. Uma coisa que tenho que me dar forças para cumprir.
Vamos ver se consigo.
Janeiro terminou e eu consegui terminar o primeiro livro.(Enquanto os ouros cinco começados vão indo, sendo lidos).
Esse que terminei é até covardia.
É um livrinho pequenininho (mesmo, tem 10/7cm) e é, no dizer de um outro leitor, um mimo.
O autor é Mayrant Gallo, bahiano de Salvador, poeta e contista.
O mimo tem 18 contos quase policiais, quase fantásticos. Todos curtinhos e maravilhosos.
Você começa a lê-los despretensiosamente e fica completamente presa no pequeno volume de 120 páginas. Deliciosa prisão. Pequenas histórias que sugerem mais que contam, grandes histórias. O leitor entra num mundo fantástico de muitas dimensões. A real é a mais incrível delas.
O livro foi um presente que ganhei do autor, que conheci aqui, pois ele tem um blog com o desafiante nome de: Não Leia!
Graças a Deus sempre fui teimosa como uma mula e a melhor maneira de me fazer fazer alguma coisa sempre foi, dizer-me para não fazê-la. E descobri assim, um blog literário excelente e um escritor, poeta e contista brasileiro, com alma nórdica, e espírito brilhante de cuja existência jamais suspeitaria.
Dele também o próximo livro que já comecei, publicado pela Cosac & Naify: O Inédito de Kafka, também de contos, e outro de poesias que li ano passado: Recordações de Andar Exausto.

Para dar aguá na boca e alimentar a curiosidade aí vão os nomes dos contos, e um trexo do conto que dá nome ao livro:
Esqueleto/A derrota/A última cena /O espelho/O intruso/Solidariamente/Um natal/O gato de dois rabos/Um braço na noite/Cabelos/A felicidade/Dizer adeus/Não fui eu/O amor não escolhe/Manhã simples/Vida nova numa enorme casa/Chuva/Mãos dadas.

...

-O que é pior para você? - perguntou ao amigo - Esquecer uma mulher que amou ou não ter em seus braços uma outra que ama, que deseja? Ou ambas a
s situações são idênticas, de uma melancolia insuportável?

...



quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Sem Permissão Concedida.

Sem tempo para postar e fazer tudo o mais que quero.
Achei esse post num post de outro post.
Pedi e não esperei permissão.
Agradeço a Ana do Certezas Biodegradáveis que me levou lá.
Agradeço ao Ulysses do Esquerda Festiva, mesmo sem ele ter tido tempo de dar o pode.



domingo, 25 de janeiro de 2009

Premiação



Há quase 1 ano comecei esse blog.
Incentivada por uma amiga maravilhosa eu criei coragem e comecei a tornar públicas, coisas que tinha escrito há muito tempo e coisas que fui e vou escrevendo quando posso, quando tenho que, quando me dá vontade.
Já contei isso aqui mais de uma vez e não vou entrar em detalhes repetitivos.
Desde que iniciei as postagens me senti entrando num mundo diferente e delicioso.
Recebo visitas e visito pessoas e lugares maravilhosos.
Virtuais sim, mas tão reais e próximos como os que visito diariamente em minha vida fora do computador. Ou mais.
Aqui, são pessoas de procedências e vidas e idades e credos, as mais variadas possíveis.
De qualquer maneira comungamos coisas. Uma delas, essa paixão: palavras, idéias, pensamentos.
Não sou boa nas questões concernentes ao funcionamento destas maquininhas maravilhosas.
Muitas coisas não sei fazer e sou lerda demais em realizar qualquer procedimento. Levo horas tentando anexar uma foto, incluir um gadget ou outras coisas.
Sou absolutamente prolixa e porque não dizer, datada? Como digo no meu perfil, sou absolutamente adepta e fã do "aqui e agora", mas trago comigo as marcas de já bastante tempo nesse planetinha azul.
Aprendi a ler em livros, a escrever a lápis para depois usar caneta tinteiro. Esferográfica só no ginásio. Aos 13, fui aprender datilografia e um de meus maiores presentes foi uma Olivetti branquinha, portátil.
Chega.
Pouparia todos colocando minha data de nascimento.
Mas tudo isso é só para dizer que fiquei agradavelmente surpresa quando cheguei em casa ontem, já bem tarde, e na minha olhada de boa-noite ao meu lap, encontrei um e-mail dizendo:

Olá.
Você recebeu algumas premiações.
Passa lá no 100fdmstos e dá uma olhada.

Foi o que fiz.



O 100 Fundamentos é o blog do Ricardo Tadeu que faz parte dos Meus Passeios Preferidos, a lista de blogs que acompanho, e ele estava me passando um meme-selo que havia sido enviado a ele por outro blog amigo, e que faz parte de uma brincadeira; e mais três selos enviados por outra amiga de outro blog.

Então aí vai:




Estes são o meme e o selo e para repassá-los deve-se seguir as seguintes regras:
-Colocar o link de quem te indicou para o meme-selo;
-Escrever essas 5 regras antes de seu meme para deixar a brincadeira mais clara;
-Contar 6 fatos aleatórios sobre você (essa é a proposta da brincadeira);
-Indicar seis blogueiros para continuar a brincadeira;
-Avisar esses blogueiros que eles foram indicados.

Então:
- O link de quem me indicou: http://ricardothadeu.blogspot.com ;

- As regras ali em cima;

- 6 coisas sobre mim:
1. Sou louca por livros,
2. Sou louca pelo que faço (tudo),
3. Faço nascer em média 5 bebês por mês,
4. Gosto de escrever,
5. Gosto de brincadeiras inteligentes, jogos, amigos, música, livros...
6. Não consigo jamais ser concisa. Abundo em retiscências.

Os outros selos são:





























E dos muitos blogs que visito e passeio, os seis que indico, por razões também variadas, são:


E eu teria 6 vezes mais 6 para indicar. Mas estaria extrapolando a "brincadeira".
Por hora aqui fico, passeando nos blogs maravilhosos que me levam a outros e preenchem mais minha vida.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ao Adiamento


Então hoje para.
Fica tranquila, ou triste, ou simplesmente fica.
Contigo e em ti.
Amanhã pensas no amanhã e depois.
Hoje pensa-te. Hoje aproveita para olhar-te e ver quem és.
Ou despedir-te de vez, ou por uns tempos, de quem não és. De quem terias sido. De quem querias ser.
Hoje apresenta-te a ti. Dá-te tempo de te conhecer e te gostar.
Hoje encontra contigo. Bebe uns copos. Brinda o encontro.
Hoje é teu dia.
Amanhã, tu pensas depois.
Sempre depois.
Hoje, deixa para viver.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

ÊXTASE



É quando me sinto embriagada,
levemente,
e a superfície começa a anuviar-se e adensar seus limites
com a névoa dos símbolos,
todos os barulhos, as vozes, as músicas,
misturando-se e confundindo-se,
que, abrigada pela dissolução,
submerjo-me no âmago do meu ser.
E sorvo grandes goles.

Foto:Andrzej G.http://8292.openphoto.net

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O poeta no meio do caminho



A menina não conhecia poesia.
Sabia é claro recitar e cantar, samba le-lê e batatinha.
Sabia a canção das ondas chegando na praia.
Sabia o canto dos passarinhos na algazarra urbana.
Não tinha muitas idades.
Sabia porem, que o poeta morava em seu caminho.
Sentadinha no ônibus para a escola, sempre à janela,
levantava-se ao passar diante do prédio.
Sabia que era ali.
Ali morava o poeta.
Ela levantava em reverência, sem nada dizer.
Não sabia o que ele tinha escrito, sobre a pedra no caminho
sobre a máquina do mundo, sobre a morte do leiteiro.
Mal aprendera a ler.
Sabia por saber.
No seu coração a poesia teve letras depois.
Um dia no seu caminho, passando na frente do prédio do poeta
viu-o saindo no portão.
Passo certo, como que tímido. O homem por detrás dos óculos e do bigode.
Ela gritou para os amigos, como se visse um carrossel:
Olha lá, é o poeta, é o poeta.
Seus olhos brilhavam contentes.
Seu coração não perguntou nada.
Ela sabia que ali morava a poesia.
Continuou nos outros dias a levantar ao passar.
As pernas no ônibus não eram vistas.

Hoje ela toma vinho
E fica comovida como o diabo quando lembra
do dia em que tinha um poeta no meio do seu caminho.

Foto de Dauro Veras - carrossel no parque da cidade - Brasília