Achei esse post num post de outro post.
Pedi e não esperei permissão.
Agradeço a Ana do Certezas Biodegradáveis que me levou lá.
Agradeço ao Ulysses do Esquerda Festiva, mesmo sem ele ter tido tempo de dar o pode.
Textos Poemas Idéias Expansões de Ontem Hoje e Sempre






Esse vídeo foi achado jogado nos escombros da antiga gravadora dos Beatles (Abbey Road Studios) e mostra uma sessão de gravação de GET BACK.
Como key board das gravações, o pianista negro americano Billy Preston ...
Assistindo à gravação - lá pela altura do minuto 02:12 aparece bem rápido um tal de Mick Jagger!

o avesso da vida é vida também. tal como é vida a vida que se desmorona. tal como é vida esperar que a poeira da vida assente. viver a vida é vivê-la desmedida e não temer a raiva, não temer o desengano.
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
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Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
No Sem cerimônias, o blog de uma amiga, o post I don't Know, me fez pensar em Pessoa, e em muitas coisas que ele escreveu. A poesia gera poesia na vida, no pensamento. Ler o pensar faz a gente pensar, lembrar, pensar... esse processo é vivo, dinâmico e excitante. Nem sempre nos faz feliz, pode mesmo nos deixar muito, muito angustiados, nos fazer sentir a grandeza ou a infinitude de nossa pequenes. Mas nos joga adiante. Sempre adiante, em busca quem sabe do alento do vazio da ausência do pensamento, esgotado em si mesmo, onde tudo forma um vasto nada.
Acabamos de sair da conferência de imprensa de São Paulo, a colectiva, como dizem aqui.
Surpreende-me que vários jornalistas me tenham perguntado pela minha condição de blogueiro quando tínhamos atrás o anúncio de uma exposição estupenda, a que é organizada pela Fundação César Manrique no Instituto Tomie Ohtake, com os máximos representantes e patrocinadores, e com a apresentação de um novo livro à vista. Mas a muitos jornalistas interessava-lhes a minha decisão de escrever na “página infinita da Internet”. Será que, aqui, melhor dito, nos assemelhamos todos? É isto o mais parecido com o poder dos cidadãos? Somos mais companheiros quando escrevemos na Internet? Não tenho respostas, apenas constato as perguntas. E gosto de estar escrevendo aqui agora. Não sei se é mais democrático, sei que me sinto igual ao jovem de cabelo alvoroçado e óculos de aro, que com os seus vinte e poucos anos, me questionava. Seguramente para um blog.

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